Tomada de decisão: na dúvida, faça o que é o certo!
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Tomada de decisão: na dúvida, faça o que é o certo!

No aniversário de 18 anos do meu filho, dei a ele dois presentes significativos. Uma bússola e uma luneta.

Na bússula está gravado: “Na dúvida, faça o que é certo” e na luneta: “Decisão com perspectiva”.
Estou lhe contando isso para ilustrar a reflexão de hoje...




Por que dei esse presente?
Tenho a convicção de que o momento presente é fruto das decisões que tomamos no passado.
E o futuro será norteado pelas decisões que tomamos no presente.


Você pode estar pensando: mas e a sorte, o destino ou a espiritualidade?
Também acredito que todos esses componentes fazem o seu papel e exercem, sim, alguma influência. No entanto, em relação ao que está sob nosso controle, com certeza o impacto maior que podemos gerar está nas nossas decisões.


A luneta do Thiago, para mim, significa a decisão com perspectiva; representa o exercício de fazer uma pequena viagem no tempo e observar o impacto que essa decisão, tomada hoje, que devo tomar agora, terá no futuro.



Decisão com perspectiva:
Somos programados para buscar o prazer e evitar a dor. Essa é uma máxima mantida pela evolução até os dias atuais. Essa busca pelo prazer, muitas vezes, nos faz cair na armadilha da satisfação imediata, sem avaliar as possíveis consequências ou nossos objetivos e metas de longo prazo.


Na dúvida, faça o que é o certo:
Antes de mais nada, o momento da tomada de decisão precisa de análise. Você precisa dar um pause para não decidir nada no calor do momento, considerando apenas emoções e desejos do presente.
Na bússola que dei ao Thiago, está gravada a frase: “Na dúvida, faça o que é certo”.
Ouvi essa frase uma vez e realmente faz muito sentido.



Como saber o que é o “certo”?


1 – Entenda se a sua decisão está alinhada aos seus valores.


Lembro-me de uma ocasião em que usei essa frase. Eu tinha ido ao México para uma reunião; ficaria fora cerca de uma semana. Era o segundo dia da viagem, e meu filho Thiago descobriu que estava com apendicite e faria uma cirurgia de emergência. O que eu deveria fazer? Voltar para o Brasil ou continuar na reunião?


Mesmo que eu pegasse o voo mais rápido, só chegaria após a cirurgia. Foi aí que a frase veio à cabeça: “na dúvida, faça o que é o certo”. E eu entendi que ficar com o meu filho era a resposta. Felizmente, na empresa onde eu trabalho, as pessoas são excepcionais e me deram todo o apoio para eu retornar.


A questão naquela hora é que eu tinha dois valores conflitantes, e isto acontece muito – o dilema.
Por um lado, meus valores familiares, de mãe, de cuidar do filho… Por outro, o meu valor de responsabilidade e comprometimento com trabalho e reuniões.


Muitas vezes vivemos esses dilemas. Nesses momentos é mais difícil tomar uma decisão.
Você precisa fechar os olhos e sentir o que é certo, identificar qual escolha está mais alinhada aos seus valores.

2 – Faça o teste da moeda


Uma vez li em um livro, não lembro em qual, sobre como saber se a decisão é a certa.
E é simples assim: jogue uma moeda para o alto e, se for cara, é porque deve seguir o caminho A; se for coroa, deve seguir o caminho B.


Simples, não é? Mas tem um truque… Vamos fazer uma experiência?


– Pense em uma decisão importante que precise tomar…
– Agora faça uma relação cara para ______ e coroa para ______.
– Jogue a moeda para o alto e veja o resultado.


Agora vem a parte mais importante do experimento: SINTA A RESPOSTA.


Se você se sentiu frustrado, essa provavelmente não é a coisa certa a fazer. Nesse caso, você possivelmente deve seguir o outro caminho. Se você se sente frustrado ou decepcionado, as chances são de que você está no caminho errado e deveria seguir por outro.


Agora, se você ficou aliviado, sentindo que era isso mesmo, então esta talvez seja a direção.
Se você se sente bem e orgulhoso, com a percepção de que era isso mesmo que queria como resultado, as chances são de que você está no caminho certo.


O mais importante é a segunda parte do experimento. Como você se sente com o resultado...


3 – Não “racionalize” apenas. SINTA a decisão.


Muito se fala sobre a decisão racional e a emocional. São várias as linhas de reflexão a respeito desse assunto, mas o ponto é: existe uma decisão que é lógica e existe uma, chamada de gut no inglês, que representa aquilo que vem de dentro (na tradução seria algo visceral, que se sente e não é possível explicar).


Então, qual é o melhor caminho a ser tomado: o gut (sensação/instinto) ou o lógico?


Eu diria que o ideal é um “mix dos dois”, mas o maior peso seria ouvir aquilo que não é possível explicar, que você simplesmente sabe, mas desconhece as razões, não sabe colocar em palavras – o visceral.


Racionalizar uma decisão é tarefa fácil, se alguém nos pergunta: “por que decidiu fazer isso?”, normalmente temos uma tese para explicar por que tomamos aquela decisão, uma série de razões que foram bem pensadas.
Eu tinha um chefe que dizia: “vamos tomar essa decisão e depois arrumamos as razões”.


Ele colocava de uma forma estratégica, isso é fácil. De uma criança pequena a um executivo, temos a habilidade incrível de encontrar os “porquês sim” e os “porquês não”. E aí começam muitas vezes os debates, em cima das razões que foram criadas, podendo tornar-se intermináveis.


Emoção e razão não são opostas.
Na realidade, trabalham juntas. Uma boa decisão precisa do envolvimento das duas.


4 – Questione as suas crenças


Um ponto perigoso no processo de tomada de decisão é que, muitas vezes, as decisões são alinhadas às nossas crenças. Crenças são diferentes de valores; são pensamentos que atuam como leis, e nós as criamos baseadas nas nossas histórias, experiências, etc.


Temos a tendência de acreditar que uma boa decisão é a racional, associada à lógica, talvez pelo fato de que o emocional é erroneamente associado ao descontrole, mas não é bem assim.


Normalmente, as crenças estão recheadas de certezas que são apenas julgamentos e foram criadas por medos e receios. Fato é que elas funcionam como um balizador: não precisamos pensar, simplesmente tomamos a decisão que já está no “modo default”.


O ponto que precisamos considerar é O QUE SENTIMOS para tomar uma decisão QUE NÃO SEJA EMOCIONAL.
Consegue perceber a diferença?


5 – Decisão com perspectiva


Quando chegar o momento da decisão, considere não apenas seu “eu presente” , mas pense no seu “eu futuro”.
Tenha em mente o impacto que essa decisão terá no seu futuro. Como se você fizesse uma viagem no tempo para entender.


Uma informação importante é que essa tarefa não é nada fácil para os adolescentes. Os comportamentos imaturos e sem perspectiva acontecem porque o cérebro humano vai amadurecendo da nuca para a testa. Portanto, a região responsável por essa tarefa no nosso cérebro, chamada de córtex pré-frontal, é a última a se completar, para desenvolver as habilidades mais sofisticadas, e o desenvolvimento não está concluído até os 20 ou 25 anos.


Isso não significa que crianças e adolescentes não sejam capazes de tomar decisões. Apenas devemos ter em mente que o desenvolvimento dessas habilidades mais complexas é estabelecido ano após ano e, com maiores estímulos, desafios, apoio e oportunidades, a evolução dessas capacidades cognitivas será otimizada.


6 – Entenda o melhor momento de se tomar a decisão


Muito tem sido estudado, e um fator comum entre as reflexões é que a decisão está muito ligada ao AUTOCONTROLE. E é fato que tomamos decisões melhores quando estamos no melhor da nossa energia, ou seja, descansados, sem fome ou sono e sem preocupações.


Agora, analisando o seu dia a dia…
Quantas vezes você toma decisões quando está no pior da sua energia?



Eu comecei a adotar esse princípio como lema e entendi que nem sempre preciso tomar as decisões no momento em que elas chegam para mim, ou seja, posso postergar a decisão para um melhor momento.


As frases mágicas são:

“Não estou no meu melhor… Vamos deixar para mais tarde…
Prefiro tomar essa decisão tal dia ou quando estiver…”



Com certeza há muitas decisões que não podem esperar: aquelas que chegam no segundo decisivo e precisamos resolver no calor da emoção, na pressão de alguma chateação, urgência, pressão de outros etc. Nesse caso, procure dar um pequeno “pause”, tente se afastar por alguns segundos da situação e faça uma análise rápida da melhor alternativa.


Conseguir saber se é preciso mesmo tomar uma decisão naquele momento ou se é possível deixar para depois requer grande habilidade.


7 – Desenvolva sempre os seus “recursos internos”


Nossas decisões estão também atreladas aos recursos que temos no momento. Por essa razão, quanto mais investimos nos nossos recursos internos, mais chances temos de nos orgulhar da nossa decisão.


Para isso, busque a cada dia o seu autoconhecimento e implemente estratégias para ser a cada dia a sua versão melhor.


Mesmo que você sinta estar fazendo algo completamente racional, há uma série de questões emocionais e inconscientes que estão o influenciando. Somos muito mais irracionais do que acreditamos, portanto, o autoconhecimento é fundamental.



Por fim...
Quando dei ao Thiago a luneta e a bússula, a minha ideia foi a de reforçar a importância de PARAR e PENSAR antes de tomar uma decisão. Pense nisso...



E, se ainda tiver dúvidas, lembre-se de:

fechar os olhos e “sentir” o que é o certo.




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